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Abelhas nativas sem ferrão: O negócio é outro

Por : Murilo Drummond 23/02/2018

"Mais do que negócios, o assunto é conservação".


A meliponicultura, apesar do seus avanços na última década no que diz respeito a tecnologia de produção, vem passando por uma descaracterização acentuada em razão da estampagem cultural que influencia todas as decisões de colocar os produtos das abelhas nativas no mercado.


Tal estampagem tem como referência a abelha africanizada e este fato tem comprometido as potencialidades de negócio da meliponicultura, e ao mesmo tempo pode provocar a extinção das nativas.


Para que o mercado de produtos dessas abelhas possa se estabelecer de forma favorável ao produtor e à essas espécies, é necessário que a meliponicultura, como negócio, seja olhada sob a ótica conservacionista, e não simplesmente como mais um modo de produção.


O conceito econômico que melhor exprime esta ideia é o da economia ecológica, pois, por ela, a venda de um produto sempre  é olhada no contexto da sustentabilidade do ambiente de onde este produto se originou. A partir das experiências de mercado com estas abelhas nos últimos 15 anos, a Meliponina, o braço de negócios do Projeto Abelhas Nativas – que atende comunidades rurais do Maranhão – incorpora o conceito de Condomínio de Negócios.


O mesmo vem como uma proposta de solução para um sistema de produção que não pode prescindir da conservação das espécies, manutenção dos ecossistemas e sustentabilidade ambiental, mas que também precisa se precaver da fragilidade jurídica e legal que assombra atualmente o comercio dos produtos das abelhas sem ferrão. 

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Para saber mais faça os cursos da série Meliponicultura Sustentável

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22 de abril, um dia pelo fim da poluição dos plásticos

Por : João Otavio Malheiros 10/04/2018

"Dia da Terra, o que há para dizer".


No Dia da Terra, 22 de abril, a mais importante data do ambientalismo mundial, é anualmente promovida pelo www.EarthDay.org uma campanha por atitudes que solucionem os cada vez mais graves problemas do meio ambiente e que revertam o processo crescente que degradação da natureza. O tema central sempre vem do contexto, no qual se agravam perigosamente todas as causas da crise ambiental planetária e são raras as soluções concretas. Este ano, o Dia da Terra trata da poluição dos plásticos e a atitude que é cobrada dos governantes e de cada ser humano que habita nossa casa comum – a Terra, é que se promova imediatamente o seu fim.

Busca-se com o tema chamar a atenção de todos para um dos aspectos cruciais, ao lado do aquecimento global que vem elevando a acidificação das águas dos mares, da degradação da vida nos oceanos, onde a poluição por plásticos resulta em envenenamento e causa direta de morte das espécies marinhas. O problema é mais amplo: o lixo plástico é também jogado e deixado nas praias, nas ruas e nos rios, em todos os cantos, entupindo o fluxo dos resíduos e abarrotando os aterros sanitários. Enfim, o crescimento exponencial da poluição por plásticos está ameaçando a sobrevivência de nosso planeta.

 

O Dia da Terra 2018 sugere algumas tarefas para serem realizadas por quem queira agir nos diversos campos de atuação possíveis. Dentre elas: liderar e apoiar uma regulamentação internacional e global da poluição dos plásticos, para coibir, por exemplo, a exportação de lixo plástico de países ricos para os países pobres; e, educar e mobilizar os cidadãos para que exijam de seus governantes e das corporações que produzem os plásticos medidas que controlem e diminuam a poluição por plásticos. 

 

O ‘espírito’ do Dia da Terra, formatado em 1970 pelo seu criador Gaylor Anton Nelson, um precursor do ativismo ambientalista nos Estados Unidos, não é centralizar uma única ação, mas incentivar a iniciativa de pessoas, de grupos e de instituições de todos os tipos e em qualquer lugar, para que agir objetivamente, buscando alterar as tendências destrutivas e reverter os processos que colocam em risco nossa espécie em escala planetária. Aposta que o primeiro passo para a ação seja uma tomada de consciência da gravidade e da extensão dos problemas. E aponta para a capacidade humana de sempre resolvê-los. O que se fará, ao final, com a remoção de suas causas.

 

Mais informações: www.earthday.org (em inglês). 

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Aproveite a ocasião para fazer um dos nossos cursos de sustentabilidade www.scienteveritas.com.br/cursos


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Perspectivas na Conservação?

Por : Gertrud Schrik 25/03/2018
"O que diz Hans Jones em O Princípio da Responsabilidade".


E se o novo modo de agir humano significasse que devêssemos levar em consideração mais do que somente o interesse 'do homem', pois nossa obrigação se estenderia para mais além, e que a limitação antropocêntrica de toda ética antiga não seria mais válida?

Hans Jonas, em 'O Princípio da Responsabilidade'

 As abelhas surgiram no Cretáceo, junto com as plantas com flores, mas seu futuro no Antropoceno não está muito claro. A Apis melífera está sofrendo e morrendo no mundo inteiro. As extinções em massa estão mundialmente em patamares altíssimos e perigosos. Os oceanos estão acidificando e entulhados de lixo. As mudanças climáticas já têm seus efeitos sentidos.

As abelhas nativas solitárias e sem ferrão sofrem também por falta de conhecimento e reconhecimento. Seu papel na polinização -elas são responsáveis pela reprodução e variedade genética de muitas plantas- é largamente desconhecido, enquanto isto é um eco-serviço vital para humanos. A importância delas na conservação da biodiversidade para a manutenção do funcionamento de ecossistemas inteiros então... seu valor genético... ou pior ainda: seu valor intrínseco...

Há quem confia ou aposta na resiliência de sistemas naturais, mas o tempo está curto, e as poluições, os desmatamentos e os altíssimos consumos de recursos continuam; e o homo sapiens (sapiens?!?) continua se esparramando pelo planeta. Sim, há uma crescente consciência ambiental e as vozes pelo desenvolvimento sustentável são cada vez mais frequentes. E surgem posicionamentos inovadores: no Equador, na Índia e Nova Zelândia houve reconhecimento de rios como entidades legais... quem sabe se um dia as matas brasileiras não terão seus direitos assegurados por lei? Afinal o 'eu sou o rio, o rio é eu' dos Iwi não é tão diferente do 'nós somos a floresta' que se ouve de povos indígenas aqui. Aposto que as abelhas adorariam.

Infelizmente no Brasil este tipo de conhecimento e preocupação ainda é limitado. Num país com 12 meses de sol por ano, o uso de energia solar é irrisório. Num país onde a maioria da população tem baixíssima escolaridade a agroindústria envenena tudo e ninguém fala nada. O desmatamento no Amazonas já causou seca grave no Sudeste, mas poucos sabem o que são rios voadores e a seca já foi esquecida. Junte o fato de ser ex-colônia, com estruturas de poder antiquadas e megacorruptos, com grande parte da população não-nativa, que mal conhece a biodiversidade. O Brasil é um dos países mais desiguais e violentos do mundo... Um cenário nada animador para conservacionismo.

E quais são os dados oficiais? No Livro Vermelho constam 627 espécies de fauna reconhecidos pelo governo como ameaçados de extinção. Entre os Apidae constam três espécies: Exomalopsis atlântica, Melipona capixaba, a Uruçu-negra, e Xylocopa truxali. Nas listas estaduais estes números aparentemente são maiores. E: "Na realidade, esse pequeno número de espécies ameaçadas (em torno de 0,1% do total estimado de espécies) talvez reflita apenas a nossa falta de conhecimento sobre o estado de conservação das espécies [...]" (Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção, MMA, Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, 2008, p. 316). Onze espécies indicadas para a lista das ameaçadas não foram incluídas por falta de informações. E ainda há o grande número de espécies desconhecidas, das quais provavelmente muitas são endêmicas de ambientes ameaçados. Propõe, para reduzir os impactos de destruição, redução e fragmentação de habitat -causando falta de lugares para nidificação e recursos florais- a conectividade entre remanescentes florestais. E ressalta que a perda de habitat e a consequente diminuição das populações pode causar, por causa da endogamia, um aumento em machos diploides em lugar de operárias, enfraquecendo ainda mais as colônias, e aumentando o risco de extinção. O texto também fala, no caso do Uruçu, da exploração predatória de mel e da translocação de colônias inteiras para meliponários. E frisa o risco de hibridização com a Uruçu-do-Nordeste, Melipona scutellaris. "Como a hibridização pode levar à descaracterização da espécie, a criação da Uruçu-do-Nordeste no Espírito Santo deve ser terminantemente proibida." (idem, p. 383). Propõe ainda medidas específicas para inibir as práticas de extração predatória de mel e a captura de enxames silvestres das abelhas indígenas sem ferrão em áreas de preservação. "Essas medidas específicas exigem esforço de educação ambiental e [...] o investimento em desenvolvimento de práticas de manejo racional das abelhas, de forma a reduzir a pressão sobre suas populações silvestres onde essa atividade tiver alguma importância para as populações locais." (idem, p. 317). E, no caso da Xylocopa, sugere que "[...] a translocação de indivíduos entre populações pode vir a ser uma estratégia interessante [...]" (idem, p. 384), após os devidos estudos, para manter ou aumentar a variabilidade genética de pequenas populações isoladas.

Somadas a uma situação que não inspira otimismo, muitas lacunas e incertezas então. Mas uma linha geral de medidas e ações que poderiam fazer a diferença está clara. Mãos à obra, antes que seja tarde!

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